fachada_2

Ensino Religioso » A Vida de São Bento

São Bento - Benedictus em latim, que era a sua língua - foi realmente bendito ou abençoado não apenas pelo nome, mas também pela graça, como lembra o papa São Gregório Magno ao narrar a sua vida. Nascido em Núrsia, de família livre, por volta do ano 480, mandaram-no os pais para Roma, acompanhado de um velha ama, a fim de formar-se em letras.

Constatando porém os perigos que a grande capital oferecia aos jovens, foi Bento refugiar-se na pequena cidade de Enfide, mas não por muito tempo. Pois um dia, vendo a ama chorosa e aflita por ter quebrado uma vasilha emprestada, tomou os dois pedaços, rezou sobre eles, e juntaram-se de novo sem deixar vestígio.

Logo espalhou-se o milagre e penduraram a vasilha à porta da Igreja; Bento então resolveu partir, agora sem a ama, que por toda parte espalharia o prodígio; já não corria risco a sua pureza, mas a sua humildade. Dirigiu-se então para Subiacum, lugar inacessível e deserto, hoje conhecido como Subiaco. No caminho encontrou um monge chamado Romano, que lhe deu o hábito monástico e indicou-lhe uma gruta onde pudesse viver somente para Deus. Ali passou três anos, alimentado pelo monge Romano que, morando mais alto, fazia-lhe descer o pão num cestinho atado à ponta de uma corda.

 

Oração da Medalha

A cruz Sagrada seja a minha luz,
não seja o dragão o meu guia.
Retira-te Satanás,
nunca me aconselhes coisas vãs.
É mal o que tu me ofereces,
bebe tu mesmo os teus venenos.

UMA REGRA CHEIA DE EQUILÍBRIO


Muitos prodígios, inclusive a ressurreição do filho de um camponês que o pai lhe trouxe nos braços, assinalavam a santidade de Bento e da Regra que ele escreveu para os monges que desejam viver em comunidade, dividindo o tempo - ora et labora - entre a oração e o trabalho. Regra que em breve se impôs a todo o Ocidente, já por ser a mais completa, já por seu grande equilíbrio, que nada exigia de muito pesado, a fim de que os fortes pudessem fazer mais que o exigido e os fracos não desanimassem. Dessa Regra disse Bossuet: "Sua Regra é um tratado de cristianismo um sábio e misterioso resumo de toda a doutrina evangélica, de todas as instruções dos Santos Padres e de todos os conselhos de perfeição". Várias comunidades adotaram-na de modo autônomo, tendo cada uma o próprio Abade, que a interpretava e adaptava às circunstâncias e às épocas.

ORAÇÃO PARA ALCANÇAR ALGUMA GRAÇA

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranqüilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça ... que vos suplicamos, finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso. Amém.

SÃO BENTO NUM POEMA

O grande poeta francês Paul Claudel, que foi aliás oblato beneditino, escreveu o Hino a São Bento, do qual fizemos a tradução:

Bento, mal saído da infância, escuta essa palavra calma que nos dirige o Cristo.
Ganhar o mundo para o homem, se ele perde a alma, de que vale isto?
Ah, se suas paixões, ao acaso, como cabras que pastam por aqui, por ali, senhoras do seu dono, o seu pastor arrastam, escravo, atrás de si!
Teremos acaso uma outra alma para deixar assim a nossa dissipar-se de todos?
Taça corrupta, água de adúltera fossa, só haverá ume nas fontes de lôdo?
Por isso, Bento, báculo na mão, vai de mansinho empurrando as ovelhas com jeito pela estrada invisível e segura, este caminho mais fácil, que é o estreito.
Pois o deserto é grande e grande o pantanal, mas humilde a estrada que serpeia; quem um dia a deixou, só encontra, afinal a areia igual à areia...
Renuncia, alma em caminho, a esse duplo deserto, sul e norte.
Renuncia (será assim tão duro?) à fome, à sede, à morte!
Como é bom para o homem se sentir seguro!
Seguro dos seus pés, seguro do caminho, seguro do que vem adiante, seguro da sólida cruz, seguro de toda a Igreja que caminha conosco triunfante, seguro do pai que nos conduz!
Feliz o homem que plantou a cruz no centro de sua praça, feliz o que abriga Deus no coração, e cujo pensamento sobe ao céu sete vezes ao dia, fumaça do coro em oração!
Feliz esse homem regular, a alma ao corpo aliada, que transformou a jaula em clausura; esse soldado negro que não perde nunca, veste em escudo transformada, contato com a sepultura!
Estaremos assim tão certos de voltar a Deus para correr o risco de perdê-lo?
Meu filho, escuta o preceito.
Estamos mais perto do perdão quando tratamos de merecê-lo.
Vai-se mais depressa indo direito.
E por que, por causa das coisas da terra, tanto se afligir e atormentar, quando é tão fácil nada ter?
Por que discutir e falar tanto, quando é tão fácil calar!
Esta noite vamos todos morrer...
Como o teu Deus e cala-te! Caminha, trabalha, obedece?
Sobre ti repousa a minha graça.
E, se o próprio Deus diz que isto basta, haverá outra prece, outro pedido que se faça?
O gesto vale mais que a palavra. Em vez de pretender vencê-lo, é mais prudente evitar Satanás.
Em vez de querer lutar contra o mundo, é melhor colocar o capuz simplesmente, sem olhar para trás.
Se o próprio Deus permanece no seu templo, por que voltaremos para o choro, para os caos que há lá fora? E se a nossa felicidade no céu será cantar um só coro, por que não começar desde agora?
Se a nossa felicidade no céu será o amor, por que a guerra então?
Por que nos separamos desse jeito?
Juntemos nossas vozes uma à outra. Cada uma exige a do irmão para o acorde perfeito.
Felizes os filhos reunidos em torno de seu Pai São Bento!
Feliz o discípulo que traz, na sua boca sem palavras, como um SIM grave e lento, a aceitação da PAZ.

Dom Marcos Barbosa O.S.B.